Guerra declarada
Markus Dohle, ao que parece, é adepto do adágio “a melhor defesa é o ataque”…
Markus Dohle, ao que parece, é adepto do adágio “a melhor defesa é o ataque”. O New York Times noticiou que na última sexta-feira o executivo-chefe da Random House dos EUA escreveu a agentes literários declarando que contratos antigos, negociados por sua editora antes do advento dos e-books, lhes dão “direito exclusivo de publicar” aqueles títulos “em formato eletrônico”.
A batalha é emblemática e expõe o conflito crescente no mercado editorial sobre a propriedade digital dos livros em catálogo. A Random House contesta a titularidade dos direitos eletrônicos de obras como A Escolha de Sofia, de William Styron, morto em 2006. A família do autor, por sua vez, deseja transferi-los para a Open Road Integrated Media, editora especializada em e-books. A disputa da Simon & Schuster pelos direitos de Ardil 22, de Joseph Heller, é semelhante.
Nos EUA, a venda de livros tradicionais supera a das versões eletrônicas, mas o quadro parece estar mudando. No Brasil é diferente: o mercado de e-books (ainda) não engrenou; os leitores eletrônicos (como o Amazon Kindle) ainda são raridade; e o estopim aceso pela Random pode parecer uma nebulosa e desimportante disputa tecnicista. Não é, acreditem. As teorias a respeito do futuro dos livros são várias. Em todas elas, porém, as versões digitais ocupam espaço importante, inclusive no que diz respeito às obras de autores mais antigos como Styron, Heller, Jorge Amado ou Guimarães Rosa.





